segunda-feira, 24 de maio de 2010

Mulher, (NÃO!) VEJA!

É revoltante como “ainda somos os mesmos e vivemos como os nossos pais”. Hoje de manhã, como de costume em todo domingo, passo ao menos trinta minutos na cama. Pensando, refletindo. Enfim. Domingo de fato é o dia mundial da preguiça, e para mim, não seria diferente. Após este momento de reflexão na minha manhã dominical, levanto, dou bom-dia ao computador, ligo tudo e vou fazer as minhas atividades matinais. Retorno ao meu quarto. Me deparo com uma revista que meu pai havia deixado em cima do meu laptop: Mulher,VEJA!

Abro a revista em qualquer página. A primeira reportagem que me aparece possui o titulo: “O paradoxo da infelicidade feminina- Há mais empregos, os salários são melhores e os homens, mais respeitosos (cuma?????) - mas que, afinal, as mulheres não sorriem?”. É lógico que chamou (!!!) minha atenção. Chamaria atenção de qualquer mulher. Resolvi ler. Afinal, meu pai colocou a revista em cima do meu meio de trabalho!

O texto começa bem: Afirma que a vida da mulher atual está muito diferente da mulher de quarenta ou cinqüenta anos atrás. Hoje em dia, as mulheres estudam, trabalham... De veras! Porém, o autor não foi feliz nas próximas afirmações. Esse iniciou suas barbáries com a seguinte frase: “Mesmo a tecnologia, na forma de invenções como lavadoras de louças e aspiradores de pó, conspirou para libertar as mulheres”.

Parei. Li, reli. Não acreditei. Olhei o relógio, esse marcava 12h30min do dia 22 de maio de 2010. 2010!!!!!!!!!! Ok! Respirei e voltei à leitura...

O autor começou a listar pesquisas que relatavam o nível de felicidade (hã?!) das mulheres no meado dos anos 70- onde elas se declaravam de certa forma, felizes – em comparação com a mesma pesquisa (?!) feita no século XXI onde nós, mulheres, não nos declarávamos tão felizes assim-(nesse momento já estava furiosa!) Ao final do texto ele finaliza com a seguinte questão: “Obter e agregar felicidade em todos os diferentes domínios pode ser mais difícil do que era quando os esforços das mulheres tinham um foco mais fechado” O autor afirma, aqui, que a mulher era mais feliz quando tinha a sua vida limitada a lavar ceroulas de marido e cozinhar?

Enfim, será que o autor não poderia se questionar um pouco mais a fundo o porquê desta “insatisfação”? Nas décadas anteriores, as mulheres não tinham acesso à informação, à educação, ao trabalho... Éramos impostas a uma vida única, portanto, conformadas, acomodadas. Hoje em dia, temos muitas possibilidades, somos mais criticas (devido à educação que recebemos) em relação à vida que iremos seguir, a própria alegria e satisfação de viver. Portanto nos questionamos, refletimos e queremos mais! Muito mais! Penso eu que, estar conformada (muito menos acomodada) com uma situação, não tem nada a ver com o fato de ser feliz.

Mais surpresa eu fiquei, assim como (alguns de) vocês ficarão. Pois, ao final da leitura, descobri que a autoria do texto era assinada por duas autoras e um autor.

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